Esta tem sido uma semana estranha para ela.
Feliz na relação que tem sente que lhe falta qualquer coisa. Espera sempre mais. Que talvez ele não se esqueça de a convidar para o cinema ou que lhe mande uma mensagem sempre que chega tarde. Não é que ela queira controlar as horas a que chega, mas sim acordar a meio da noite e saber que ele está bem.
Nesta semana teve dois encontros não programados.
Ao atravessar a rua, encontrou uma paixão antiga do secundário, com quem tinha tido uma tentativa de relação falhada. Não por ele, mas por ela que na altura não trocava a sua liberdade por nada nem por ninguém.
Gostou de o ver, de o saber de bem com a vida mas ficou a interrogação na cabeça. Teve saudades dele e por momentos imaginou o que seria a vida dos dois em conjunto. Sabe que amor não lhe ia faltar, ele continuava um amoroso como sempre foi. Com um sorriso rasgado e os olhos brilhantes de felicidade pelo reencontro. Pensou que nesta altura, se tivesse ficado com ele, que estaria casada e com filhos, a viver a plenitude do que julga ser a felicidade. Trocaram ainda algumas mensagens e ficou a promessa de um dia destes se encontrarem de novo.
O outro encontro, esse ocorre todos os dias.
São companheiros assíduos nas viagens de comboio. São amigos de anos e foi ela quem o ajudou quando se separou da mulher. Não foi fácil, havia um filho no meio por quem ele era e é, completamente louco. Ele costuma dizer que é a única coisa importante que tem na vida, ela sorri-lhe e diz que acredita que sim e que isso se nota sem ele dizer uma palavra sequer.
Um dia destes, depois de um "bom trabalho! Até amanhã" recebe uma mensagem no telemóvel onde ele lhe dá a entender literalmente que gostava de estar com ela, num outro sitio qualquer que não aquele. Ela entra na brincadeira. Responde-lhe que para isso teria que se "divorciar". Ele diz que espera, que não tem pressa, que poucas mulheres lhe despertam o interesse e que ela era diferente, que tinham uma amizade, que sempre gostou dela, por muitos motivos, entre eles o facto de ser companheira, transparente, sincera, trabalhadora, divertida, bem disposta e pela beleza que possuía. Ela leu a mensagem vezes sem conta, não sabia que significava tanto para ele, pensava apenas que a tinha como amiga, que nunca lhe tinha passado pela cabeça que ele pudesse imaginá-la como a mulher dele. E ele retorna, pergunta-lhe se é feliz na relação actual. Ela pára, demora a responder, questiona-se, serei feliz? Ganha coragem e responde-lhe que sim, que como todos os casais já teve os seus momentos menos bons, mas que sempre conseguiram superar as adversidades. Ele é rápido na resposta, diz-lhe que sabe que a relação não vai terminar tão depressa, mas que vai estar atento e esperar por ela. E acaba com uma frase que lhe ficou às voltas na cabeça e no coração.
"Ele tem sorte".
Será que tem??? Será que o namorado dela sabe a sorte que tem em tê-la na vida dele???
eles nunca sabem ;)
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