quinta-feira, 5 de julho de 2012

Estranha sensação

Esta tem sido uma semana estranha para ela.
Feliz na relação que tem sente que lhe falta qualquer coisa. Espera sempre mais. Que talvez ele não se esqueça de a convidar para o cinema ou que lhe mande uma mensagem sempre que chega tarde. Não é que ela queira controlar as horas a que chega, mas sim acordar a meio da noite e saber que ele está bem.
Nesta semana teve dois encontros não programados.
Ao atravessar a rua, encontrou uma paixão antiga do secundário, com quem tinha tido uma tentativa de relação falhada. Não por ele, mas por ela que na altura não trocava a sua liberdade por nada nem por ninguém.
Gostou de o ver, de o saber de bem com a vida mas ficou a interrogação na cabeça. Teve saudades dele e por momentos imaginou o que seria a vida dos dois em conjunto. Sabe que amor não lhe ia faltar, ele continuava um amoroso como sempre foi. Com um sorriso rasgado e os olhos brilhantes de felicidade pelo reencontro. Pensou que nesta altura, se tivesse ficado com ele, que estaria casada e com filhos, a viver a plenitude do que julga ser a felicidade. Trocaram ainda algumas mensagens e ficou a promessa de um dia destes se encontrarem de novo.
O outro encontro, esse ocorre todos os dias.
São companheiros assíduos nas viagens de comboio. São amigos de anos e foi ela quem o ajudou quando se separou da mulher. Não foi fácil, havia um filho no meio por quem ele era e é, completamente louco. Ele costuma dizer que é a única coisa importante que tem na vida, ela sorri-lhe e diz que acredita que sim e que isso se nota sem ele dizer uma palavra sequer.
Um dia destes, depois de um "bom trabalho! Até amanhã" recebe uma mensagem no telemóvel onde ele lhe dá a entender literalmente que gostava de estar com ela, num outro sitio qualquer que não aquele. Ela entra na brincadeira. Responde-lhe que para isso teria que se "divorciar". Ele diz que espera, que não tem pressa, que poucas mulheres lhe despertam o interesse e que ela era diferente, que tinham uma amizade, que sempre gostou dela, por muitos motivos, entre eles o facto de ser companheira, transparente, sincera, trabalhadora, divertida, bem disposta e pela beleza que possuía. Ela leu a mensagem vezes sem conta, não sabia que significava tanto para ele, pensava apenas que a tinha como amiga, que nunca lhe tinha passado pela cabeça que ele pudesse imaginá-la como a mulher dele. E ele retorna, pergunta-lhe se é feliz na relação actual. Ela pára, demora a responder, questiona-se, serei feliz? Ganha coragem e responde-lhe que sim, que como todos os casais já teve os seus momentos menos bons, mas que sempre conseguiram superar as adversidades. Ele é rápido na resposta, diz-lhe que sabe que a relação não vai terminar tão depressa, mas que vai estar atento e esperar por ela. E acaba com uma frase que lhe ficou às voltas na cabeça e no coração.
"Ele tem sorte".
Será que tem??? Será que o namorado dela sabe a sorte que tem em tê-la na vida dele???

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